segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Reading

"Nas diversas reflexões que Maquiavel realiza sob o ponto de vista de como uma coletividade política pode manter e ampliar inteligentemente seu poder, o fundamento da ontologia social apresenta a suposição de um estado permanente de concorrência hostil entre os sujeitos: visto que os homens, impelidos pela ambição incessante de obter estratégias sempre renovadas de ação orientada ao êxito, sabem, mutuamente do egocentrismo de suas constelações de interesses, eles se defrontam ininterruptamente numa atitude de desconfiança e receio" (HONNETH, A).

Passei a madrugada toda oxigenando meu cérebro com "Luta por Reconhecimento" de Axel Honneth e me deparo com esse trecho citado acima que mostra uma interpretação maquiavélica, através de Honneth sobre a luta entre classes políticas pelo poder confrontando assim egos e interesses dentro dessa própria comunidade política, hora, não gosto muito dos conceitos de Maquiavel e da leitura que ele faz para obtenção e manutenção do poder, mas, esse trecho descrito por Axel me traz à luz algo que vivemos diariamente sem que nem percebamos, quer dizer, vivemos numa intensa cadeia de interdependência e internamente somos movidos por desconfianças e receios que tornam essas cadeias um tanto quanto hipócritas, claro que essa leitura é feita para as classes políticas mas se trouxermos para o meio social conseguimos entender as relações dos Homens dentro das nossas cadeias o que as torna um ambiente quase hostil se não tivéssemos um mínimo de compaixão pelo próximo...

Sabe, às vezes temo perder esperança no ser humano, temo tentar entender o que se passa na cabeça dos Homens e perder o pouco de compaixão e afinidade que ainda me resta, é um tanto cruel essa conclusão... Não gosto dela, deixo isso bem claro, mas, não é por que não gosto que não darei devida atenção, obviamente isso não cabe à todos, se analisarmos por exemplo uma aliança de amigos, talvez essa luta e essa desconfiança e receio não existam ou existam em menor escala, prefiro acreditar nisso.... Fica mais fácil  manter a esperança viva do que simplesmente liquidá-la para que as coisas "pareçam" mais fáceis, o que é engano, por sinal.


"I just wanna be myself and I want you to love
me for who I am"
Lady Gaga.

Au revoir ~

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

The Queer

Dedico esse texto a todos aqueles que não se sentem encaixados nos conservadores padrões exigidos pela nossa sociedade.


Quando eu era jovem eu não entendia muito bem o que era ser gay, sempre fui um menino muito no meu canto, nunca muito sociável, durante alguns anos na Escola Adventista, lugar onde aprendi a ler e a criar laços fora do meio familiar, fui coleguinha de todos na sala, destacava-me pela minha altura, porém, meus laços maiores sempre foram meninas, nunca tive muitos amigos homens, os pouco que tive eram em decorrência de maior convivência ou por pura conveniência por que sempre tive mais apego pelas minhas amigas mulheres.
O tempo foi passando, meu caráter aos poucos se moldava com aquilo que eu era e comecei a notar pequenas diferenças que me faziam sentir vergonha, como por exemplo brincar de boneca com uma das minhas amigas, brincávamos escondidos e guardávamos tudo quando alguém batia na porta, ora, eu era uma criança e sentia vergonha por gostar de algo que é considerado “coisa de menina”, nunca fui fã de futebol, nunca gostei de brincar de carrinho, trocava a bola por uma barbie e sentia vergonha por isso, os anos foram passando e fui notando que meus olhares não se voltavam às meninas, já tinha alguns amigos héteros, homens, e notava bem a diferença entre eu e eles, sempre tentando buscar uma máscara pra tapar a frustração que sentia ao notar que sim, eu era diferente, enquanto eles olhavam a bunda das meninas eu me deparava olhando para eles.
É claro que nada disso passou em branco na minha vida uma vez que sim eu sofri com o que hoje podemos chamar de “bullying”, eu era chamado de viadinho, bichinha, já jogaram uma garrafa de água de 2 litros encima de mim logo na entrada da escola e eu me mantinha quieto, meus conflitos aqui dentro ficavam cada vez maiores, a turbulência e o medo de auto-aceitação eram imensos, tornei-me um adolescente problemático, com crises existenciais imensas, que não gostava de pessoas, que não vivia a vida como qualquer outro adolescente comum faz, que ia a festas e mantinha-se, muitas vezes, sentado no canto por que simplesmente não se sentia encaixado naquele meio social.
Foram tempos horríveis, beirava o suicídio pois eu não conseguia aceitar oque eu era e não queria acreditar em nada do que eu estava vivendo, fiquei com mulheres e não sentia prazer algum nisso e isso me deixava cada vez mais revoltado, até que, um belo dia, sem conselhos, sem ninguém saber, resolvi me aceitar, quando me chamavam de viado, virava, mandava beijo, quando mexiam comigo eu aumentava o volume do meu MP3 no último, já não ligava mais... Não que tenha sido fácil mudar, não foi, foi uma decisão difícil mas sei que isso mudou tudo oque sou, o que vivo, o que transmito.
Pra eu chegar aqui, hoje, eu passei por coisas que um só texto não seria capaz de contar, nada é fácil, não é fácil quebrar padrões que nossos pais impõe desde que somos fetos, não é fácil encarar sociedade alguma e olha que eu moro em uma cidadezinha de sei lá, 60 mil habitantes, onde grande parte dos jovens ficou sabendo sobre mim e caíram com pedras e paus pra cima de mim sem dó nem piedade e eu baixei a cabeça? Não. Eu enfrentei. Não com violência, não com covardia, mas enfrentei com uma força que eu encontrei aqui dentro de mim, algo que nada nem ninguém é capaz de fazer com que você encontre, você simplesmente encontra.
Encarei grande parte dessas histórias calado, tinha vergonha de compartilhar com alguém, encarei tudo e me trancava no quarto e fazia dele o meu mundo por que era nele onde eu me sentia salvo desse mundo aqui fora, foi nele que eu encontrei por muitos anos o sossego e a paz que eu nunca encontrei aqui fora, nunca encontrei e provavelmente nunca encontrarei, mas, não é trancado no seu quarto que você conseguirá mudar a situação na qual você se encontra, não é forçando para que os padrões sejam quebrados que você conseguirá respeito, é em você, e somente em você que conseguirá encontrar a paz que precisa para encarar um xingamento com outros olhos, não é para aceitar, eu nunca aceitei ser xingado, eu só tapei meus ouvidos e deixei pra lá por que eu sei que a pessoa que diz aquilo simplesmente é vítima de uma sociedade que não sabe aceitar o que é diferente, que não sabe encarar que as pessoas tem gostos diferentes...
Vejo esses jovens de hoje cometendo suicídio e penso na minha história e nas diversas “oportunidades” que tive de cometê-lo e não o fiz por que algo aqui dentro não me deixava, por que eu encontrei em mim a paz que eu buscava no mundo, por que eu fui forte, por que eu lutei pra encarar o mundo e dar a cara a tapa e não foi com uma faca no meu pescoço nem nada disso que eu consegui encontrar o que eu buscava, foi abrindo a janela, destrancando a porta do quarto e vivendo que eu descobri que eu podia sim ser feliz mesmo que milhões de pessoas no mundo me odeiem pelo que eu sou, se eu pudesse chegar a esses adolescentes, diria-os exatamente oque disse nesse texto, força. Não é fácil, mas, você não precisa ter vergonha do que é, do que gosta, do que vive, do que faz. Seja a mudança que você quer ver no mundo, caso contrário, nada acontece.


Helton Hissao Noguti.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Vlog?

Acredito que uma das coisas mais amadas por aqueles que gostam de escrever é um papel em branco, sei lá, tanta coisa pode sair dali que é difícil compreender a importância que um papel em branco tem, sim, um simples papel em branco pode significar muito nas mãos daqueles que sabem utilizá-lo e acredito que a vida também é assim, uma tela em branco onde conforme nossas atitudes vamos pincelando-a e a tornando mais colorida, ou não.
Hoje é um dia atípico na minha vida, estou sentado numa cadeira, com o notebook apoiado na mesa e o céu está nublado e faz um calor que chega a comprimir os pulmões e faltar ar até que um vento gelado bate e tudo fica bem novamente.
As cigarras cessaram, o fim do ano passou, a árvore de natal fora desmontada e tudo que restam são lembranças de um ano que passou.. Agora é a hora de pendurar a tela pintada e dar lugar a outra em branco para que esta possa ser preenchida de vários momentos lindos...
Sabe, ao assistir o filme "The perks of being a wallflower" algumas frases me tocaram e muito, uma delas dizia que nós somos infinitos, ou seja, podemos fazer, conseguir, conquistar o que quisermos, basta correr atrás dos nossos sonhos, outra frase que me toca, e, inclusive será capa deste blog por alguns muitos meses até que outra venha a fazer tanto sentido é "We accept the love we think we deserve", ou seja, aceitamos o amor que pensamos que merecemos...
Impactante, não?

Poisé, explicar o sentido de tal frase é muito complexo, varia de pessoa para pessoa e não é a complexidade da coisa que me faz, nesse momento, não explicar, é que não quero limitá-la às minhas palavras pois introduzir uma ideia é o que busco nesse blog.

Mas muito bem, como disse no início, são nossas ações que são movidas por meio de escolhas que pintam a nossa tela que podemos agora chamar de "vida", sei lá, sempre vi o mundo com olhos de um escrito mesmo, sou capaz de olhar uma pessoa e escrever uma história sobre a vida daquela pessoa até aquele momento presente e isso é uma delícia, trazer para o real aquele delírio que fascina e faz rir, eu acho isso o máximo, tornar a realidade uma fábula, claro que isso não é possível em todos os momentos e que nós temos que ter o pé no chão na grande maioria do tempo, mas, poxa, o que seria da nossa tela sem um pouco de movimentos leves que desenham linhas, pontos, curvas...? Seria tão sem sal.

A magia deve estar presente, em cada dia, em cada momento, a vida é pura magia, aprenda a senti-la que tudo fica mais fácil e os sorrisos certamente não faltarão...
É uma delícia entrar no meu blog, olhar as estatísticas e perceber que tem gente que me lê e que entra aqui frequentemente, fico muito agradecido por tal carinho e adoraria que vocês deixassem um comentariozinho ali embaixo...
Estive pensando nos últimos tempos em criar um vlog, sei lá, tornar esse blog um pouco mais cômico sem essa cara e esse jeito sério de menino que gosta de escrever, amo escrever, mesmo que ninguém leia, não me importo em ser ou não ser lido, tenho vários textos escritos por mim, para mim, que nunca são postados por que são particularzíssimos e só eu e o meu livro das sombras conhecemos.
Talvez um vlog seja uma ideia legal, ligar uma câmera e falar o que der na telha... Pode ser engraçado, divertido, seria um novo modo de transmitir as minhas sensações..
Pensarei com carinho, quem sabe, na próxima postagem vocês já não tem o lançamento de um dos meus vídeos?

Abraços!

domingo, 30 de dezembro de 2012

2013


Acordei lembrando de uma vez em que fui jantar com a Tuane Vieira Oliveira no The Fifities e comecei a reparar em um casal que estava na nossa frente, não se falavam, raramente trocavam algumas palavras, pediram batatas individuais (não que isso seja um problema, mas, vocês entenderão com o decorrer do relato) e não havia aquela troca de olhares que todo casal, naturalmente, tem. Estava comendo e super conversando com a Tuh quando vi o suposto marido reclamar de a esposa pegar uma batata dele, dizendo: "Essa é minha." Tipo? Com isso me vieram algumas coisas à mente, eu jamais aceitaria uma situação dessas, onde não há troca de olhares, palavras, sorrisos, dava para sentir a frieza de ambos, que, ao pagarem a conta, levantaram e deram as mãos como se fossem um casal feliz e estava estampado na cara de ambos que não estavam. Ao mesmo tempo, ao meu lado, havia um casal interagindo demais, ela tirando sarro dele, ele tirando sarro dela, era gostoso de olhar e sentir a união dos dois, foi ali que encontrei certo conforto para permanecer naquele restaurante pois o casal a minha frente havia tirado meu apetite de tanta frieza exalada.
Feito o relato, venho dizer que o ano de 2012 me ensinou muitas coisas, e não somente me ensinou em páginas de livros, em folhas de processos, mas me ensinou com as atitudes que ocorrem ao meu redor, sempre fui um nato observador, talvez seja essa a característica-mor pelo desejo de me tornar pesquisador, sempre gostei de entender as situações, de interpretá-las de várias formas e isso tem sido cada vez mais intenso, tanto na vida acadêmica quanto na vida pessoal, que, de alguma forma se misturam. 
Sei lá, não sei o que desejo para 2013 e também nem sei se quero desejar, talvez aprender mais seja um desejo em mente, mas, aprender não é algo que possamos controlar - como podemos controlar um desejo, aprender é viver, observar... É um processo natural... Ao contrário do que disse sobre 2012 há alguns dias, aqui, nessa mesma página, 2012 foi um ano fantástico, cheio de coisas novas, novos aprendizados que serão, certamente eternizados, a "escadinha" pesquisador já está sendo construída, e não somente na vida acadêmica, como disse.. As coisas se misturam...Desejos são relativos, controlados.. Não desejarei... Viverei!


Feliz 2013!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Travesseiro.


O silêncio angustia as tardes frias e as noites gélidas, tremidas, com um coração que arde por um amor que não é vivido, que arde por saudade e que derrama lágrimas salgadas que me fazem companhia com lembranças memoráveis de uma reciprocidade que se distancia a cada dia que passa, o que dói é sentir que as barreiras vão ficando maiores e as lembranças memoráveis trazem aquela falta, aquela vontade de reviver todos os bons momentos pois o peito ainda bate, o sentimento existe, firme, forte, a vontade de ficar junto é imensa, a certeza de mudanças também... Minha mãe, avó, tios, sempre me ensinaram a não desistir de nada, a lutar, a ir atrás pois enquanto há amor, enquanto este for incondicional, as esperanças e as vontades sempre existirão. Nada é incogitável, tudo é possível, amor se constrói... O meu está aqui e eu não quero que ele desmorone... Quero vivê-lo, quero ser recíproco, quero você...

O silêncio diz muitas coisas, espero que o meu silêncio tenha lhe dito coisas que eu nunca fui capaz de dizer, espero que este tenha mostrado que ainda há felicidade para vivermos juntos... Que eu posso sim ser merecedor do sentimento que bate em seu peito, que eu posso ser merecedor de estar ao seu lado, sempre, para sempre..

Raiva, frustração, rancor não são bons conselheiros... O incogitável está na raiva, na angústia, no rancor... Isso em mim não existe, o que existe é amor...


Eu simplesmente amo você...

E por te amar tanto... Luto, não desisto, tento... Posso tentar uma, duas, mil vezes, mas, tentei, por que um amor assim, incondicional como é, é único e não tentar seria desistir.. E desistir é algo que eu não pretendo fazer... Por isso me calei...

E sabe o que mais? Eu trocaria tudo, TUDO, por mais um segundo ao seu lado...

"Todo mundo tem suas carências, todo mundo é humano, todo mundo sente. Uns sentem mais, outros menos, alguns quase nada, mas sentem. Podem adorar serem livres de noite na balada, no barzinho com os amigos, mas, pelo menos antes de dormir, ser livre, pesa.". - T. B.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Não sei.

Wilde caracterizava a incerteza entre as brumas como a coisa mais fascinante da vida. Não sei, provavelmente pela característica-mor dele de gostar do sofrimento, de abraçar a dor como algo que o fizesse tornar uma pessoa mais racional... De fato Wilde foi um sofredor na vida, sofreu por preconceitos, sofreu por questionamentos, sofreu por ser um homem à frente da sociedade do início do século XX que pregava os bons costumes que era avesso a tudo aquilo que ele pregava pela vida.

Tenho me inspirado em uma frase dele, que me toca de modo magnifico, mas, que nunca revelei por estar escondida em um dos seus contos que sempre estão cheios de lições, pois, como ele mesmo disse, conselhos são bons para repassá-los pois não nos servem para mais nada, uma lição aprendida deve ser ensinada, nada mais resta para nós a não ser passá-la para outros, essa frase que relevarei destaca o maior medo daqueles que são tocados pelo amor incondicional, que tem a sorte de encontrar-se com Ágape e desvendar os mistérios do amor:



"Se o deixar partir, morrerá. E a morte do coração é a morte mais horrível que existe". 

Oscar Wilde.

A morte do coração ditada por Wilde é aquela que se prolonga, que dói, que você vive, vive o rasgar do sentimento, é uma morte na vida, é soltar-se de Ágape, é deixar de lado o amor incondicional, é sofrer.

Ele sempre fora um romântico de modo pleno, às vezes se indignava com algumas coisas e escrevia suas mágoas, um humano, como todos, mas, sempre amou, e para ele deixar aquele que se ama partir é entregar-se a uma tristeza que dói, por que ao contrário da morte em si, a morte do coração é vivida, é sentida, é sofrida, é angustiante...

Pessoalmente também penso que a morte do coração, o que modernamente poderíamos chamar por término de um relacionamento cujo pilar seja o amor incondicional, é deixar com que tudo que foi construído desmorone encima da sua cabeça, faça com que todas as lembranças que te traziam sorrisos agora tragam lágrimas de saudade, sem dúvidas a morte do coração é a pior de todas... Digo isso por que sinto, digo isso por que só eu sei o que sinto ao deitar a minha cabeça no travesseiro à noite e sentir minha alma gritar, meu coração chorar, meu corpo implorar para estar com você outra vez...